Autor: ipeazul

  • Se você quiser que elas se comuniquem, dê a elas uma “voz”!

    Se você quiser que elas se comuniquem, dê a elas uma “voz”!

    Fonte: Os símbolos pictográficos usados são propriedade do Governo de Aragão e foram criados por Sérgio Palao para ARASAAC (http://www.arasaac.org), que os distribui sob uma Licença Creative Commons BY-NC-SA.

    Por Bill Nason, tradução livre por Renata Bonotto

    Para algumas crianças no espectro, a comunicação apresenta muitos desafios. Se é difícil formular o que dizer, como dizê-lo e se sentir seguro dizendo isso, ou tentar comunicar uma ideia, sentimento, necessidade ou experiência de comunicação, pode ser desafiador e frustrante. Pode ser exaustivo, primeiro, identificar as palavras certas e depois produzí-las no contexto estrutural para que outros as entendam. Mesmo para quem fala, a ansiedade de se expressar socialmente pode ser esmagadora.

    Nos primeiros anos, a comunicação começa de maneira instrumental. As crianças comunicam que querem algo ou “protestam” por não gostar de algo. Para muitas crianças no espectro, porque o mundo é muito caótico, confuso e muito assustador para elas, grande parte de sua primeira comunicação se resume a “escapar e evitar” situações que não dominam. No escopo profissional, isso é chamado de “protesto”. No entanto, seu primeiro método de “protesto” é geralmente por meio de comportamentos (gritar, jogar coisas, bater, chutar, morder a si mesmo etc.), em vez de palavras. Como geralmente tentamos punir e reprimir esse comportamento, ignoramos os protestos da criança, invalidando a intenção de sua comunicação. Frequentemente ignoramos ou punimos a intenção de comunicação deles, frustrando ainda mais suas tentativas iniciais de comunicação. Mesmo à medida que ficam  mais velhos e estabelecem palavras faladas, geralmente “não as ouvimos”. Como queremos que eles façam certas coisas, parem de fazer outras coisas e se comportem de certas maneiras, geralmente ignoramos ou suprimimos suas tentativas de comunicar sua posição, especialmente se não é o que queremos ouvir. Queremos que eles conversem e se comuniquem, mas muitas vezes não lhes permitimos ter “voz”.

    Como queremos que as crianças aprendam a se comunicar, precisamos lhes dar uma voz! Seja através de palavras faladas, gestos, sinais manuais, palavras escritas, ruídos vocais, figuras ou outras ações comportamentais. Precisamos permitir que as crianças expressem o que querem, não querem, estão seguras e se sentem à vontade. Precisamos dar a eles uma “voz”, não importa quão complexo ou refinado seja o método de comunicação (gestos, sons, expressões faciais, comportamento etc.). Devemos estabelecer (1) intenção de comunicação e (2) segurança e aceitação para se expressar antes que a criança seja motivada a aprender formas mais complexas de comunicação. Desde muito cedo, recomendo que comecemos o seguinte:

    1. Desde os primeiros anos, é importante ficar atento ao comportamento da criança e supor que há intenção de comunicação. Se a criança vira e olha para alguma coisa, pega, joga, faz barulhos vocais ou gritinhos, creia que há intenção de se comunicar e atribua significado a isso. Por exemplo, quando Sally tenta pegar um objeto, pense que há intenção de se comunicar: “Sally quer ____” e entregue o objeto imediatamente a ela. Se Johnny se afastar e gritar quando você apresentar algo, diga “Parece que Johnny não gosta de ____” e retire-o. Expresse a “intenção” a qualquer comunicação que a criança usar. Por sua vez, declare verbalmente essa intenção implícita à criança, para que ela comece a conectar que suas ações afetam o comportamento de outras pessoas. A princípio, a criança pode não estar tentando se comunicar. No entanto, ao atribuir significado e intenção a ela, a criança aprende a conexão de causa e efeito de suas ações, impactando o ambiente. Isso estabelecerá o significado das “intenções” e aumentará a motivação para ela se comunicar.

    2. Encontre o melhor método para o seu filho se comunicar. Embora, todos ansiamos que nossos filhos falem, a fala pode não ser o primeiro e melhor método de comunicação no momento. Use uma abordagem de “comunicação total”; usando uma variedade de métodos (ruídos vocais, gestos, imagens etc.) para estabelecer a comunicação. Muitos pais temem que o uso de métodos suplementares de comunicação inibam o uso da fala de seus filhos. Isso não é verdade. Estabelecer comunicação de qualquer forma aumentará a probabilidade de surgimento da fala se essa modalidade for algo de que eles são capazes. Todas as crianças aprendem primeiro a se comunicar por meio de ruídos vocais, gestos, expressões faciais etc., antes de aprender a falar.

    3. Dê à criança uma “voz” em tudo. Peça a opinião deles ou quais são suas preferências. Permita a eles escolhas simples (entre o que comer, o que vestir, o que fazer primeiro etc.). Se eles não responderem, dê um palpite e observe a reação deles (“Aposto que você gostaria do suco!”). Aceite qualquer que seja a resposta deles (tentar pegar, ruído vocal, afastando-se etc.) como comunicação e responda como a interpreta. Peça a opinião deles, ofereça escolhas, faça uma pausa para dar a eles uma chance de responder. Depois que responderem, diga como você interpretou. Isso estabelecerá a conexão da sua resposta à ação deles.

    4. Entenda e respeite o “protesto” deles. Se a criança não gostar de algo, ou algo a assusta / oprime, primeiro reconheça que você entende e valida que ela está com medo ou não quer algo. Isso é importante para a criança se sentir segura, expressando suas necessidades. Se possível, retire a demanda, modifique-a para atender às suas necessidades ou forneça apoio extra para ajudar a criança a lidar com isso. Ao reconhecer e validar o protesto, retirando ou modificando a demanda, a criança estará aprendendo que sua opinião é (1) importante, (2) ouvida e (3) tem um efeito positivo em ajudá-la.

    5. Além disso, quando seu filho está expressando emoção (feliz, triste, zangado, assustado etc.) identifique o sentimento que você vê e conecte-o ao que está causando isso. “Johnny, você parece zangado porque não pode ficar com o brinquedo!”). Dessa forma, a criança começa a conectar sua emoção ao evento e percebe que você lê sua resposta como comunicação (o que pode ajudá-la a lidar com isso). Ele conecta a emoção ao evento e, em seguida, a comunicação dele à sua ação.

    6. Por fim, “nada sobre a criança sem a criança!” Dê voz a elas em tudo o que está acontecendo. Independentemente do que seja essa “voz” (verbal ou não verbal), ouça, reconheça e respeite. Isso não significa que você deve ceder a todas as demandas da criança. Apenas certifique-se de (1) dar a ela a chance de expressar sua opinião, (2) reconhecer e validar seus sentimentos e (3) tentar modificar, adaptar ou fornecer maior assistência para que faça algo melhor. Quando ouvimos, elas se sentem seguras para se expressar e desenvolver melhores habilidades de comunicação.

    Depois de estabelecer as condições acima, lembre-se de defender o direito da criança de ter  uma “voz” em todos os contextos em que ela participa (por exemplo, na escola). Defenda que seu filho tenha voz e a use!

    Este artigo pertence à série sobre “empoderamento” e pode ser encontrada no livro verde de Bill Nason, “Autism Discussion Page on Anxiety, Behavior, School and Parenting Strategies.”

    Pode ser adquirido em https://www.amazon.com/Discussion-anxiety-behavior-parenting-strategies/dp/1849059950/ref=sr_1_1?fbclid=IwAR0Gp8mVpHLc5buV45u-EKnXFW3HIqNiklYFjW-9_N0lXUIhCFM2xmplKww&keywords=Bill+Nason&qid=1649632614&sr=8-1

    Essa postagem foi feita na página do Facebook Autism Discussion Page em 17/08/2019 em https://www.facebook.com/autismdiscussionpage/posts/2450868428325976 .

    Tradução livre por Renata Bonotto (Linguista, Dra. em Informática na Educação, Especialista em Tecnologia Assistiva/Comunicação Aumentativa e Alternativa)

  • A importância dos parceiros de comunicação

    A importância dos parceiros de comunicação

    Por Renata Bertolozzi

    Olá! Meu nome é Renata Bertolozzi, sou terapeuta ocupacional e, a partir de minhas vivências profissionais na área clínica e  educacional com pessoas com necessidades complexas de comunicação, venho dividir com vocês algumas ideias sobre o tema “a importância dos parceiros de comunicação”.

    Parceiro significa aquele que tem poucas diferenças em relação a outro, semelhante, aquele com quem se faz par, companheiro. Pensando em nosso tema, portanto, podemos definir que parceiro é aquele que se coloca na relação com as pessoas com necessidades complexas de comunicação de forma recíproca.

    Parceiros de comunicação são peças-chave no processo de implementação de um sistema de comunicação alternativa, pensando em um uso efetivo no cotidiano das pessoas e o construção de maior autonomia.

    O parceiro de comunicação é aquele que auxilia a construir sentido no uso dos recursos de comunicação alternativa, pois oferece tempo e escuta, troca e diálogo e experiências do valor que a comunicação têm para as relações e para atuar e agir no ambiente , acreditando que, apesar das possíveis limitações e dificuldades, sempre temos algo a dizer.

    O bom parceiro de comunicação está atento à toda a sutileza de manifestações comunicativas, que muitas vezes se expressam em pequenos gestos, vocalizações e expressões faciais e compartilham possíveis significados que essas manifestações podem ter a partir do contexto vivido e reforçam a construção de um repertório de símbolos que podem ser utilizados.

    Ele também inicia o diálogo, muitas vezes oferecendo o acesso aos recursos de comunicação alternativa, mas também estimula a iniciativa, no momento em que esta habilidade já possa ser aprendida.

    Um outro ponto que eu gostaria de ressaltar é que, é comum que os principais parceiros de comunicação sejam pessoas do círculo domiciliar e familiar e isso é muito bom, pois ao longo do nosso desenvolvimento nós iniciamos nossas relações neste contexto e vamos ampliando. Neste sentido, é importante também que seja possível encontrar parceiros em diferentes situações, na escola, no trabalho, na fila do supermercado e, pra isso, parceiros precisam ser multiplicadores, formadores de novos parceiros e as ações de divulgação e valorização da Comunicação Alternativa, que celebramos aqora no mês de Outubro, são fundamentais!

    Esse texto é parte do projeto Drops CAA: GOTAS DE CONHECIMENTO, que foi apresentado no nosso Instagram em comemoração ao mês de conscientização da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) em Outubro de 2021.

  • O que é música? O que ela promove em nossa sociedade?

    O que é música? O que ela promove em nossa sociedade?

    O que é música? O que ela promove em nossa sociedade?

    Autoras: Vitória de Moraes Goes e Camila Acosta Gonçalves

    Você se recorda de alguma música de quando era criança? E uma música de amor?

    A música nos impacta, faz com que nos recordemos de momentos importantes de nossas vidas e de uma forma espontânea, evoca os sentimentos. Esta reflexão permite com que embarquemos na Musicoterapia, a ciência que estuda o som (música e ruídos) como meio terapêutico.

    A associação da Musicoterapia com a Comunicação Suplementar Aumentativa se inicia no exato momento em que compreendemos que comunicação e música são elementos inerentes um ao outro (BRANDALISE, 1998). Quando observado por um aspecto neurológico, o processamento cerebral da música ocorre de forma multissensorial, ou seja, várias áreas cerebrais são ativadas de forma simultânea. Ao cantarmos ou tocarmos um instrumento, ou mesmo quando ouvimos música, o cérebro humano se ativa de uma forma diferente das outras atividades, proporcionando potentes experiências relacionadas à aprendizagem social. Por exemplo, ao manusear um instrumento musical, é necessária a execução de movimentos das mais diversas ordens, o que estimula a sincronização rítmica e noção temporal/espacial; o planejamento, a compreensão compartilhada; o contato visual; a expressividade; a interação social e a flexibilidade, exercendo influência na neuroplasticidade cerebral (OVERY & MOLNAR-SZAKACS, 2009).

    Estas funções são habilidades primárias, ou seja, a base para que o processo de comunicar seja melhor sucedido. Porém, o processamento musical vai além destes aspectos, pois os elementos musicais têm sua própria estrutura e sintaxe e estão também presentes na fala, nos sinais da linguagem de sinais, nas interjeições, na expressão corporal, incrementando o processo de comunicação. Durante uma sessão de musicoterapia com foco na comunicação receptiva e compreensiva, a canção pode ser utilizada como meio para interpretação de letras, orientação temporal e ordem cronológica, por exemplo.

    A obra publicada por Levitin (2009), retrata as áreas cerebrais que são ativadas quando escutamos música. Na imagem a seguir, podemos ver que a música pode ser processada desde áreas do desenvolvimento motor e sensorial até locais responsáveis exclusivamente pela cognição.

    Cantar, dançar, tocar, expressar-se, compreender, interagir, raciocinar e brincar: Isso é Música!

    Como musicoterapeutas, quando iniciamos um processo de implementação da Comunicação Suplementar Alternativa, utilizamos a modelagem. E a modelagem também tende a favorecer o ambiente musical. Durante uma sessão de Musicoterapia com CSA, o usuário do sistema de comunicação pode realizar escolhas, comentar, fazer pedidos e descrever conceitos musicais de forma muito mais assertiva, tanto em atendimentos convencionais quanto por telessaúde (GONÇALVES, COSTA & GÓES, 2021). Isto permite com que o usuário navegue pelo universo singular musical, ou seja, aquele aspecto relacionado à expressividade e à criação, como cantar, dançar, ouvir, tocar, gritar, sussurrar, sorrir, sentir e, simultaneamente, fazer o paralelo com o universo pragmático musical: a descrição de conceitos e exteriorização de pensamentos e emoções despertados pela experiência.

    Costumamos dizer que o trabalho do Musicoterapeuta nunca mais será o mesmo após ter contato com a CSA. A CSA, assim como a música, traz a sensibilidade e a importância do comunicar. Comunicar e musicar é muito mais que realizar simples pedidos: é descobrir-se ser você mesmo, é poder mostrar o seu melhor. Desta forma, com essa parceria, oferecemos oportunidades para o indivíduo se comunicar de forma multimodal. E através da conexão, que é uma característica inerente à Arte, conseguimos aproveitar o máximo potencial de desempenho da pessoa atendida. Isto vai mais além do que as palavras podem expressar.

    Para finalizar, separamos algumas dicas e possibilidades de associação da Música com a CSA, com pranchas musicais. Esperamos que elas possam ser úteis para famílias, amigos e outros parceiros de comunicação musicarem juntos!

    Prancha de comunicação com o objetivo de trabalhar consciência fonológica

    Música: “Caranguejo Peixe É”

    Aplicativo: Editor de prancha Amplisoft

    Prancha de Comunicação Musical com foco em nomeação e quantidade

    Música: “Caranguejo Peixe É”

    Aplicativo: Editor de prancha Amplisoft

    Prancha de comunicação inspirada na canção “Cara de quê?”, com objetivo de trabalhar sensações e emoções.

    Aplicativo: Editor de prancha Amplisoft

    Link Youtube- https://www.youtube.com/watch?v=ZwzD5nBLn7w&t=43s

    Prancha de comunicação contendo ritmos musicais para trabalhar escolhas e percepção auditiva

    Aplicativo: TD Snap

    Prancha de comunicação conceitos básicos musical

    Aplicativo: TD Snap

    Prancha de comunicação vocabulário essencial e vocabulário específico musical

    Aplicativo: TD Snap

     

    Referências:

    Brandalise, A. . (1998). Aproach “Brandalise” de Musicoterapia. Brazilian Journal of Music Therapy, (4). Recuperado de https://musicoterapia.revistademusicoterapia.mus.br/index.php/rbmt/article/view/152

    Gonçalves, C; Costa, P. T. S.; Góes, V. M.; Musicoterapia com crianças durante a pandemia do Covid-19: Interações musicais com Comunicação Alternativa Ampliada, Em, P. 87 (2021). ANAIS DO XVII DE MUSICOTERAPIA E.

    Levitin, D. J., & Tirovolas, A. K. (2009). Current advances in the cognitive neuroscience of music. Annals of the New York Academy of Scienc

    1156, 211–231. https://doi.org/10.1111/j.1749-6632.2009.04417.x

    Overy, K., & Molnar-Szakacs, I. (2009). Being together in time: Musical experience and the mirror neuron system. Music Perception, 26(5), 489–504. https://doi.org/10.1525/mp.2009.26.5.489

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  • Todos nós usamos CAA!

    Todos nós usamos CAA!

    Todos nós usamos CAA!

    Publicado por @drawntoacc no Instagram
    Tradução pelo @comunicatea_pais
    Adaptação para publicação aqui por @renata.bonotto

    A Comunicação Aumentativa e Alternativa engloba mais do que os aplicativos de comunicação com saída de voz de alta tecnologia. A CAA também inclui sinais manuais, linguagem corporal, mensagens de texto, a escrita e qualquer coisa que usamos além da fala na comunicação.

    Lembrar disso pode ajudar a normalizar o uso de outras modalidades de comunicação além da fala e ajudar a lembrar a todos que falam (como, a maioria de nós) que não há pré-requisitos para a CAA e que a CAA não vai impedir a fala.

     

    CAA significa mais do que dispositivos geradores de fala de alta tecnologia

    Muitas pessoas se referem a dispositivos geradores de fala de alta tecnologia e CAA como se fossem sinônimos. Tablets com aplicativos de comunicação são certamente uma forma icônica de CAA, mas isso não é tudo que a CAA abrange.

    Então, o que mais é CAA?

    A CAA pode ser separada em dois grupos: CAA não apoiada e CAA apoiada. A CAA não apoiada refere-se a tudo que podemos usar sem ajuda externa para comunicação além da fala, como os gestos, sinais manuais e outra linguagem corporal. CAA apoiada inclui apoios para comunicação que utilizam ferramentas externas. Os dispositivos geradores de fala se enquadram nessa categoria, assim como as mensagens de texto, a escrita, as pranchas com imagens, sistemas de CAA robustos de baixa tecnologia e dispositivos que utilizam mensagens gravadas com botões. Importante: Todos nós usamos alguma forma de CAA todos os dias.

    Lembrando, outros termos que usamos em português para comunicação apoiada e não apoiada são “comunicação assistida e não assistida” e “comunicação auxiliada e não auxiliada”. O termo suporte e apoio são utilizados como sinônimos também.

    E daí?

    É bom saber que a comunicação inclui todas essas possibilidade porque isso normaliza o uso de outras modalidades de comunicação além da fala quando indivíduos falantes lembram que também contam com a CAA para a comunicação em muitos contextos.

    Isso também favorece uma melhor compreensão aos indivíduos que falam sobre CAA e ajuda a dissipar mitos como “CAA impede a fala” ou “há pré-requisitos para o uso da CAA”. O uso de CAA certamente não impediu que muitos de nós nos tornássemos indivíduos falantes. E, a maioria de nós nunca passou por um teste antes de ser “autorizado” a aprender a usar um teclado!

     

    Ok, mas para quem importa se eu uso “CAA” e “aplicativo de CAA” como sinônimos?

    Lembrar que a CAA significa mais do que o uso de aplicativos de CAA de alta tecnologia é importante por vários motivos. Por um lado, reduz as barreiras que as pessoas colocam quando só pensam em termos dos dispositivos geradores de fala que conhecem e se esses são adequados para alguém, em vez de fazer uma avaliação completa e descobrir as necessidades de uma pessoa e depois combiná-las com uma série de recursos de CAA adequados.

    Entender a CAA como uma grande categoria de ferramentas e suportes nos ajuda a entender que o objetivo é apoiar a comunicação de uma maneira que seja melhor para o indivíduo, e não se trata apenas de “comprar um tablet, qualquer tablet”.

     

    Mas, a CAA de alta tecnologia não é a melhor que existe?

    Depende do indivíduo! O fato de a CAA abranger mais do que a alta tecnologia não deve ser uma desculpa para dar a um comunicador “iniciante” apenas opções de baixa ou nenhuma tecnologia.

    Entender que a CAA envolve uma grande variedade de ferramentas, antes de qualquer coisa, deve implicar em uma disponibilidade e quantidade maior de ferramentas e suportes que oferecemos a um indivíduo. Ainda, deve nos manter em busca de ferramentas que realmente atendam às suas necessidades.

    Sim, precisamos de um vocabulário robusto, presumir competência e CAA de alta tecnologia apropriada. Mas, você não deve iniciar uma avaliação com uma ferramenta de CAA em mente. Conheça primeiro o comunicador e quais são as suas necessidades, e DEPOIS procure as ferramentas de CAA que melhor se adaptem a ele.

    Resumindo:

    Muitas pessoas só se referem à CAA quando estão pensando em dispositivos geradores de fala de alta tecnologia.  Mas, “CAA” não é sinônimo de aplicativos de comunicação em dispositivos com saída de voz.

    Ampliar a compreensão sobre a CAA, de modo que englobe TODOS os suportes que podem ser incluídos nessa categoria é importante para que todos entendam como a CAA pode ser usada para apoiar a comunicação.

    Publicado por @drawntoacc no Instagram

    Tradução pelo @comunicatea_pais

    Adaptação para publicação aqui por @renata.bonotto

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  • Será que ainda dá tempo de repararmos essa desassistência?

    Será que ainda dá tempo de repararmos essa desassistência?

    Será que ainda dá tempo de repararmos essa desassistência?

    Autora: Daniela Bordini

    Embora a dificuldade de acesso a tratamento de qualidade para as pessoas com autismo continue sendo um grande desafio para a maioria das famílias, os adultos com TEA de hoje com certeza não tiveram as mesmas oportunidades de tratamento do que as crianças com TEA possuem atualmente.

    Há 30 anos muito pouco de falava em autismo, em ABA, muito menos em maneiras alternativas de se comunicar…

    Toda uma geração de pessoas com autismo não verbal foi privada de ter uma voz, de mostrar para o mundo o que sente, o que pensa, o que quer e do que é capaz.

    Será que ainda dá tempo de repararmos essa desassistência?

    Será que esses adultos conseguem aprender coisas novas e maneiras alternativas de se expressarem?

    Acreditamos que sim, nunca é tarde para tentarmos, para investirmos nas pessoas e lhes oferecer oportunidades de melhor desenvolvimento e autonomia.

    Acho que a tentativa de implementação de sistemas robustos de comunicação alternativa e aumentativa nessa faixa etária não deveria representar apenas experiências isoladas e sim uma obrigação dos profissionais da área do autismo que atuam com essa faixa etária hoje em dia. Isso pelo poder transformador e libertador que pode ter na vida desses indivíduos e suas famílias.

    Recentemente fiz indicação para um jovem não verbal aos 25 anos anos que teve uma evolução surpreendente e que hoje pôde ampliar e consegue ir muito além na sua forma de se expressar, segue relato do seu irmão mais velho sobre a experiência:

    “ A comunicação alternativa tem sido uma grande descoberta para o meu irmão, Daniel, para mim, para minha mãe e para a sua cuidadora, Maria. Embora a implementação do PODD tenha começado já em idade avançada, aos 29 anos, rapidamente o Dani se mostrou muito interessado pelas suas possibilidades comunicativas. Bastava alguém mostrar o iPad que seus olhos já se fixavam automaticamente na tela, à espera da mensagem a ser comunicada.

    Para além de viabilizar uma escuta que me parece mais qualificada, o Dani também tem conseguido se expressar cada vez mais por meio do PODD. Embora ele seja verbal, ele não gosta de falar e nem sempre sabe como iniciar uma conversa ou interferir em algum assunto de seu interesse.

    Ano passado, tentei levá-lo para viajar de avião pela primeira vez. Ele ficou com muito medo e não conseguiu embarcar. Logo após, eu, Maria e minha mãe tentamos lhe explicar, com auxílio do PODD, que iríamos tentar novamente embarcar no avião, em um voo que seria dali 2 horas. Nessa interação, sempre que alguém apertava o botão “avião” no PODD, ele apertava em seguida o botão “ônibus”, que é o meio de transporte que costumamos usar para fazer viagens. Ele estava nos contando qual era a sua predileção e sugestão para fazermos a viagem!

    Eventos como esse estão começando a proliferar em nossas vidas. O PODD tem nos permitido saber as opiniões, os gostos e até mesmo as sugestões do Dani, o que para nós era um território de difícil acesso. Pelo PODD, sinto que estou conhecendo melhor meu irmão e abrindo um canal de comunicação para que ele me conheça mais também”.

    Pedro Beresin

     

     

     

    Daniela Bordini – psiquiatra da infância, Adolescência e vida adulta.

    Coordenadora do ambulatório de Cognição Social Prof. Dr. Marcos T. Mercadante – TEAMM – UNIFESP.

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  • A Comunicação Aumentativa e Alternativa e o Planejamento Motor

    A Comunicação Aumentativa e Alternativa e o Planejamento Motor

    A Comunicação Aumentativa e Alternativa e o Planejamento Motor

    O Planejamento Motor diz respeito a aprender e a executar diferentes movimentos. Por exemplo, quando colocamos nossos dedos no teclado, podemos ter que pensar em para onde mover um dedo e apertar uma tecla durante a digitação (quando estamos começando a aprender a digitar).

    Quando estamos aprendendo movimentos novos (ou seja, um novo plano motor), podemos ir muito devagar e errar. Vamos precisar pensar muito sobre cada movimento. À medida que nos familiarizamos mais com a maneira com a forma que nossas mãos se movem para selecionar diferentes teclas, o plano motor se torna mais automático e nos tornamos mais rápidos e precisos.

    O teclado é um exemplo comum de planejamento/aprendizado motor e CAA em ação. Da mesma forma, um aluno aprendendo a usar um sistema de CAA pode precisar de muita ajuda para localizar diferentes teclas e, no começo, pode não ser muito rápido.

    Mas, com o tempo, um plano motor mais automático se desenvolve e eles podem ser mais rápidos e dizer mais. Idealmente, isso permitirá que eles digam o que querem, quando quiserem.

    Por exemplo, aqui está uma prancha de vocabulário essencial. As setas nos mostram o plano motor para a formulação da sentença “Eu quero mais”. Uma memória motora de cada palavra individual nesta prancha também se estabelece com a prática e o uso.

    Idealmente, o sistema de linguagem da pessoa que comunica por meio da CAA deve ter o mesmo plano motor em todos os contextos. A comunicação não será tão efetiva se as palavras em uma prancha usada para uma atividade específica estão em uma posição, e, em outros sistemas de linguagem, as palavras estão em posições diferentes. É como usar teclados em que as letras estão em lugares diferentes a cada momento.

    Apoie a aprendizagem motora

    Em geral, o aprendizado motor ocorre naturalmente, como resultado da prática e da exposição. No entanto, há algumas características de um sistema de CAA que podem tornar o plano motor automático mais fácil ou mais difícil de acontecer.

    Lembre-se dessas informações ao selecionar um sistema de linguagem de CAA e ao programar e personalizar um novo sistema que tenha sido recomendado.

    O que apoia a automatização motora na CAA

    Manter as palavras nos mesmos lugares

    Mudar os botões de lugar altera o plano motor. A pessoa terá que aprender um novo posicionamento para acessar a mesma palavra quando suas palavras forem movidas. Então, não mova as palavras para testar os comunicadores para ver se eles sabem o que um símbolo ou uma palavra significa. A localização dos símbolos deve se tornar previsível ao longo do tempo se quisermos contribuir para a aprendizagem motora.

    Modelar diretamente usando o sistema

    Leva tempo para aprender! Mostrar a uma pessoa onde ela pode encontrar as palavras e fazer o movimento físico ajuda muito a pessoa a fazê-lo por conta própria.

    A pessoa também deve ter muitas oportunidades motivadoras para usar seu próprio sistema.

    O que apoia não apoia o planejamento motor

    – Usar mão-sobre-mão ou outra dica de apoio máximo

    A ajuda física incentiva a dependência de dica, e, possivelmente, oferece muito pouca prática física significativa ao aluno com esse apoio total. A modelagem e a estimulação assistida de linguagem são estratégias muito melhores para apoiar a aprendizagem motora. Você também pode dar um toque no cotovelo do aluno para ajudá-lo a iniciar o movimento.

    Use os princípios de planejamento do motor para apoiar a comunicação!

    O plano motor não é a única coisa que você precisa conhecer e apoiar para alcançar uma comunicação bem-sucedida.

    Mas apoiar o desenvolvimento de um plano motor consistente não dói! Tente manter as teclas nos mesmos lugares e lembre-se de modelar, modelar e modelar. As ajudas devem sempre ser dadas tendo em mente sua descontinuidade e a futura independência na comunicação.

    Esteja atento a sistemas robustos de linguagem que apoiem ​​o aprendizado motor e leve isso em consideração ao organizar seus próprios suportes visuais.

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  • A Comunicação Aumentativa e Alternativa não vai atrapalhar a fala

    A Comunicação Aumentativa e Alternativa não vai atrapalhar a fala

    A Comunicação Aumentativa e Alternativa não vai atrapalhar a fala

    Publicado por @drawntoacc no Instagram
    Adaptação para publicação aqui por Renata Bonotto

    Não, a CAA não impede a fala de ninguém!

    De acordo com a maioria das pesquisas realizadas sobre a CAA e sua interação com a fala oral, no geral, descobriu-se que a CAA não diminui ou impede o desenvolvimento da fala e, em alguns casos, se associa a ganhos na habilidade de fala.

    É importante considerar a condição de cada pessoa, mas deve-se ter muito, MUITO cuidado com qualquer pessoa que diga que “a CAA interfere na fala oral” porque não é isso que a prática clínica e as pesquisas indicam. E, quando consideramos o sentido mais amplo de CAA, pensar isso nem mesmo faz sentido.

    Como se parece a implementação e terapia envolvendo CAA

    • Promove acesso a apoios da CAA que podem ajudar a pessoa a se comunicar da maneira mais eficiente e independente possível.
    • Honra todos os atos de comunicação, incluindo a fala.
    • Ajuda a pessoa a aprender a usar a CAA modelando um uso funcional e fornecendo muitas oportunidades de uso de recursos de CAA, sem nunca exigir seu uso.
    • Explora novos meios de comunicação e vocabulário de forma conjunta.
    • Usa a CAA como um suporte visual útil e também como um modelo auditivo consistente para que a pessoa possa acessar e construir habilidade para o uso futuro com autonomia.

    Como NÃO se parece a implementação e terapia envolvendo CAA

    • Ignora, desencoraja ou interrompe todas as outras formas de comunicação, para que uma pessoa “aprenda” a usar os símbolos de CAA.
    • Implementa a CAA apenas para situações em que a pessoa é imediatamente bem-sucedida (para fazer pedidos de itens de preferência, por exemplo).
    • Faz com que as pessoas repitam atos de comunicação bem-sucedidos usando recursos de CAA para que “aprendam”.
    • Apenas propõe e implementa o uso de CAA como último recurso, e abandona completamente quaisquer esforços para apoiar outras formas de comunicação, incluindo a fala oral.

    Todos nós usamos CAA na comunicação.

    Sua capacidade de digitar, falar, enviar mensagens de texto ou usar memes e emojis na comunicação não impediu você de ESCOLHER como se comunicar.

    Às vezes, falar ao telefone não faz sentido ou tomará muito tempo, então, escrevemos um e-mail ou uma mensagem de texto. Às vezes, começamos a escrever e o texto começa a ficar muito extenso, daí decidimos que seria mais fácil conversar.

    A verdade é que alguém passou algum tempo dando a você acesso a esses meios e até mesmo ensinando a usá-los. Isso apenas lhe proporcionou escolha e oportunidade, não impediu ou desencorajou você de ampliar sua comunicação de muitas outras maneiras.

    Todos têm o direito de se expressar.

    Usar uma forma alternativa e ter acesso a diferentes formas para se comunicar, caso a fala oral não atenda a todas as suas necessidades, pode ser a diferença entre autonomia e dependência, participação e isolamento, desenvolvimento da linguagem e estagnação.

    Precisamos lembrar que, o que mais queremos para nós mesmos e para as pessoas que amamos, é uma comunicação autônoma que permita a elas mostrar ao mundo quem são, e não o que as outras pessoas pensam para dela.

    Recursos e links para artigos

    Will AAC stop a person from learning to speak? [A CAA vai impedir uma pessoa de falar?]

    Por Assistiveware

    https://www.assistiveware.com/learn-aac/roadblock-aac-will-stop-a-person-from-learning-to-speak

    Does AAC Prevent Speech Development? [A CAA impede o desenvolvimento da fala?]

    Por Communication Community

    https://www.communicationcommunity.com/does-aac-prevent-speech-development/

    Publicado por @drawntoacc no Instagram

    Tradução pelo @comunicatea_pais

    Adaptação para publicação aqui por @renata.bonotto

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