Autor: Comunica Tea

  • A inclusão da pessoa com TEA em ambiente escolar

    A inclusão da pessoa com TEA em ambiente escolar

    A inclusão da pessoa com TEA em ambiente escolar

    Lidieri Barros
    @educaçãoespecialpe

    O Transtorno de Espectro do Autismo (TEA) envolve uma série de características que variam de pessoa para pessoa, essas características podem se intensificar ou atenuar ao longo da vida. O diagnóstico do TEA geralmente ocorre ainda na primeira infância, sendo comum de ser identificado na fase inicial de alfabetização.
    A pessoa com TEA pode apresentar dificuldades de comunicação e interação social de forma verbal e não verbal, além de comportamentos repetitivos que podem incluir alta ou baixa sensibilidade a estímulos sensoriais e interesse fixo.

    Nesse sentido quando essa criança inicia a fase escolar, é imprescindível que haja um acompanhamento profissional para oferecer auxílio educacional, e a parceria com a família neste processo é muito importante. O processo de inclusão deve incorporar atividades que ajudem a criança: despertar a atenção, estimular a concentração e a interação, elaborar estratégias para desenvolver a sua comunicação e expressar emoções tudo isso para contribuir com seu desenvolvimento social.
    Algumas vezes, a infraestrutura do espaço educacional não conta com o suporte para atender as necessidades especificas de cada criança, o que dificulta o processo de inclusão. A escola deve garantir adaptações do espaço físico, aquisição de mobiliários específico, equipamentos, recursos materiais, e uma sala de recursos multifuncionais para atender as necessidades dos alunos com especificidades, bem como um professor especialista na área de inclusão para atendimento no contra turno escolar.
    Professores e equipe pedagógica devem elaborar uma proposta de adequação do currículo para as especificidades do aluno com limitações, além de estimular o respeito, e a colaboração da turma durante a realização das atividades propostas, de modo a incentivar um vínculo com todos os colegas de turma.

    Algumas atividades podem estimular o desenvolvimento de crianças com TEA, a exemplo demandas que envolvem uso de massa de modelar, jogos de quebra-cabeça, uso de fantoches e atividades com pintura. A utilização da tecnologia é também uma aliada em diferentes atividades, como coordenação motora, raciocínio lógico, alfabetização, percepção visual, escuta, troca de turnos e interação.
    As propostas e adaptações devem ser planejadas e desenvolvidas pela equipe pedagógica e multidisciplinar que acompanha o indivíduo no cotidiano, assim poderão ser obtidos melhores resultados para o crescimento de alunos com TEA.

     

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  • Comunicação é direito de todos

    Comunicação é direito de todos

    Comunicação é direito de todos

    Rita Bersch

    A comunicação é base para a aprendizagem e, sem dúvida, a comunicação é a primeira barreira a ser superada, pois o aprendizado depende da interação. Toda criança tem o direito de comunicar e de ser compreendida na escola.
    Precisaremos reconhecer que, para ultrapassar a barreira da comunicação, nós é que precisamos conhecer, estruturar e disponibilizar na escola os recursos de tecnologia assistiva necessários para a comunicação, sejam eles recursos simples, impressos ou de alta tecnologia como dispositivos móveis e aplicativos dedicados, computadores que integrem diferentes formas de acessos, softwares que garantam acessibilidade às informações e a expressão.
    Somos habituados a escutar que tudo isso é muito bonito, mas está longe de ser realizado em nosso país. Está fora da realidade brasileira. Para quem pensa assim eu digo:
    Comunicação Alternativa é Tecnologia Assistiva.
    Tecnologia Assistiva é um direito garantido a todo o cidadão brasileiro com deficiência.
    Nós temos a Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência incorporada à nossa Carta Maior. Nós temos a Lei Brasileira de Inclusão e nela está escrito, no artigo 74:
    “É garantido à pessoa com deficiência acesso a produtos, recursos, estratégias, práticas, processos, métodos e serviços de Tecnologia Assistiva que maximizem sua autonomia, mobilidade pessoal e qualidade de vida”.
    O conhecimento sobre a nossa legislação deve provocar nas famílias, nos profissionais, nos gestores de serviços de educação e de saúde a busca pelo acesso a este bem.
    Precisamos deixar claro que não se trata somente de acesso a um recurso tecnológico específico, a um equipamento. O recurso não cumprirá a sua função sozinho. Precisamos garantir formação aos parceiros (familiares, educadores, comunidade escolar, profissionais da saúde). Precisamos garantir a existência de serviços especializados em Tecnologia Assistiva com ênfase na Comunicação Alternativa no contexto da escola, por meio do Atendimento Educacional especializado e nos serviços de saúde pública.

    Nosso desafio é grande e precisamos unir força! Devemos estar juntos para garantir o direito à Comunicação e Inclusão.

    Esse texto é parte do projeto Drops CAA: GOTAS DE CONHECIMENTO, que foi apresentado no nosso Instagram em comemoração ao mês de conscientização da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) em Outubro de 2021.

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  • Sistemas Robustos

    Sistemas Robustos

    Sistemas Robustos

    Fonoaudióloga Michelle Borges

    Oi! Vou falar sobre sistemas robustos de comunicação em alta e baixa tecnologia! Bom, um sistema robusto de comunicação é um sistema de linguagem que ele vai permitir que a gente converse com alguém utilizando símbolos até chegar numa forma gramaticalmente correta. Então para termos um sistema robusto tem que cuidar algumas características desses sistemas. Esse sistema precisa permitir que a gente inclua um vocabulário essencial, que é aquele vocabulário que é útil em diversos contextos e tem uma alta frequência na nossa língua e também um vocabulário acessório. Ele precisa permitir que a gente consiga evoluir na sintaxe. Então vou demonstrar aqui para vocês no Flip book, um recurso de baixa tecnologia. Então a gente pode começar, o usuário vai começar falando “comer”, depois ele vai construir “eu comer” “eu quero comer” “eu quero comer (nos alimentos) um chocolate” então permita que a gente consiga construir essa narrativa. Esse sistema também tem que permitir que a gente consiga evoluir nas funções pragmática, não ficar só numa função comunicativa por exemplo como o pedido. Que a gente consiga explorar mais funções comunicativas, como fazer um comentário, responder uma pergunta, negar algo e também precisa permitir que a gente tenha um alfabeto ou teclado. Então vou mostrar para vocês um recurso de alta tecnologia que é o aplicativo TD Snap e eu vou mostrar aqui então que ele permite o teclado. A gente consegue escrever palavras, frases que não tenham no nosso recurso. E por último a gente precisa possuir um padrão de organização no sistema, porque através desse planejamento motor, desse padrão consistente significativo do símbolo em determinado local que nos permite uma comunicação mais rápida e fluída. Uma última mensagem eu queria deixar é para a gente tentar deixar de lado os sistemas isolados e restritos e utilizar mais sistemas robustos e abrangentes de comunicação. Certo! Muito obrigada!

    Esse texto é parte do projeto Drops CAA: GOTAS DE CONHECIMENTO, que foi apresentado no nosso Instagram em comemoração ao mês de conscientização da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) em Outubro de 2021.

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  • Modelagem

    Modelagem

    Modelagem

    Fonoaudióloga Ana Montenegro.

    Olá, sou Ana Montenegro, fonoaudióloga, docente do curso de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Pernambuco e pesquisadora na área de comunicação alternativa e autismo. Para que a criança aprenda a utilizar de fato a comunicação alternativa, existem alguns aspectos primordiais e hoje irei falar sobre um deles: a modelagem na comunicação alternativa.  Sabemos que para o aprendizado de qualquer língua é necessário que a criança esteja imersa em um ambiente em que todos os interlocutores possam ser o modelo de falante desse idioma, com a forma de como é utilizado a língua, que podemos chamar o uso do significante linguístico em comum. Na comunicação alternativa a língua é a mesma, só que os significantes estão em forma de símbolos, digamos assim.  De acordo com Tomasello, a partir de nosso modelo como interlocutor, a criança inicialmente imita,  faz suas hipóteses, constrói e generaliza utilizando o sistema linguístico com os diversos parceiros e em diferentes contextos.
    Daí, questiono, como queremos que a criança com necessidade complexa de comunicação seja fluente no uso de comunicação alternativa, se nós não somos o modelo linguístico, pois não utilizamos o mesmo sistema dela? A quem ela vai imitar?
    A modelagem pode ocorrer de três formas: a primeira é ao conversamos diretamente com a criança, por exemplo enquanto falamos vamos apontando no sistema linguístico da comunicação alternativa.  A segunda  é quando  queremos que a criança nos imite imediatamente,  daí demonstramos o uso,  como se fosse a criança falando, respondendo, comentando,  com o intuito de que ela possa nos imitar, e por fim, a terceira forma é demonstrar outras pessoas utilizando o sistema de comunicação alternativa, como por exemplo apresentar um vídeo de outra criança utilizando um livro de comunicação alternativa.
    De acordo com a revisão sistemática publicada pela ASHA, realizada por Sennott  e colaboradores, a modelagem promove ganhos linguísticos significativos na pragmática, na semântica, na sintaxe e, também na morfologia. Daí queridos parceiros de comunicação, aproveitem os diversos momentos de comunicação e modelem, modelem, modelem.

    Esse texto é parte do projeto Drops CAA: GOTAS DE CONHECIMENTO, que foi apresentado no nosso Instagram em comemoração ao mês de conscientização da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) em Outubro de 2021.

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  • Letramento para Pessoas com Necessidades Complexas de Comunicação

    Letramento para Pessoas com Necessidades Complexas de Comunicação

    Letramento para Pessoas com Necessidades Complexas de Comunicação

    Organizado por Renata Bonotto

    Um dos aspectos que primeiro me atraiu para a área da CAA foi me deparar com as experiências de adolescentes autistas que haviam encontrado o caminho para comunicação plena por meio da escrita e da digitação, exemplos como o da canadense Carly Fleischmann e do indiano Tito Rajarshi Mukhopadhyay que possui, inclusive, livros publicados.
    Hoje, temos exemplos incontáveis de pessoas com necessidades complexas de comunicação que por meio da tecnologia de modo geral e da Tecnologia Assistiva, mais especificamente, estão conseguindo se expressar por meio da escrita e aproveitando as possibilidades que a leitura oferece. 
    Ler e escrever é uma das capacidades mais importantes no mundo moderno. Em última análise, é a escrita que pode levar a pessoa à plena autonomia para se comunicar. 
    Historicamente, no entanto, o letramento para pessoas com necessidades complexas de comunicação está cercado de mitos, sendo os dois mais ultrapassados:


    a)       a crença de que é necessário falar para poder se alfabetizar
    b)      a crença de que há habilidades pré-requisitos para uma pessoa aprender a ler, escrever e se comunicar.


    Sabemos, porém, que pessoas que não usam a fala se alfabetizam – podemos lembrar aqui que pessoas surdas aprendem a ler e a escrever, por exemplo. A consciência fonológica, uma das áreas importantes do processo, por exemplo, pode se desenvolver mesmo na ausência da fala. Quanto a pré-requisitos, necessitamos encontrar formas de acessibilidade para ter contato com materiais e textos e ferramentas para a escrita. Aparentes limitações, ao invés de serem vistos como impossibilidades, devem nortear a busca por alternativas de acessibilidade à informação e comunicação como, por exemplo, conversores de texto em voz e de voz em escrita, assim como ferramentas de escrita variadas como teclados adaptados, com alto contraste, braille, teclas maiores e coloridas etc.”
    De acordo com Erickson e Koppenhaver (2019), as pesquisas que indicam que 10 fatores estão associados ao sucesso na aprendizagem da leitura e da escrita de estudantes que experimentam deficiências significativas:


    1.       Parceiros bem informados
    2.       Disponibilidade de um meio de comunicação e interação
    3.       Repetição com variedade
    4.       Engajamento (ao pensar sobre a tarefa)
    5.       Clareza (sobre o que precisa ser feito)
    6.       Conexão pessoal 
    7.       Incentivo/Encorajamento para assumir riscos
    8.       Ensino abrangente
    9.       Alocação significativa de tempo
    10.   Altas expectativas


    1.   Parceiros de comunicação bem informados.
    2.   Um meio de comunicação e interação à disposição – aqui entra a CAA e o acesso ao alfabeto.
    3.   Repetição com variedade.
    4.   Engajamento (nas atividades que envolvem leitura e escrita).
    5.   Clareza (sobre o que precisa ser feito).
    6.   Conexão pessoal com um currículo (materiais significativos e adequado à idade e interesses do aluno).
    7.   Incentivo/encorajamento para assumir riscos (as pessoas com deficiência têm consciência de suas dificuldades e podem ter alguma lembrança negativa sobre tentativas passadas. Assim, é necessário criar um ambiente estimulante, acolhedor e seguro para todos os alunos).
    8.   Ensino abrangente (por um lado, os alunos aprendem de formas diferentes, portanto, o ensino deve levar esses aspectos em conta enquanto também são estimuladas habilidades que levam ao crescimento e refinam habilidades. Não basta apenas saber ler e escrever as palavras isoladas e descontextualizadas, mas saber utilizá-las em contextos diversos).
    9.   Alocação significativa de tempo para o ensino e vivências envolvendo a leitura e a escrita).
    10.   Altas expectativas (é preciso acreditar que todos podem aprender a ler e a escrever).


    Uma pergunta recorrente diz respeito à idade mais apropriada para iniciar o trabalho em alfabetização/letramento de uma pessoa com deficiência e/ou necessidades complexas de comunicação. Não parece razoável que a idade seja a mesma que a de qualquer outra criança? E, quando se trata de adolescentes, jovens ou adultos, o melhor é começar logo. A hora é já! Aqui também é importante lembrar que atividades simples e cotidianas como ler livros, placas, receitas, rótulos, etc. contribuem para o processo de letramento. 
    Os recursos de CAA oferecem estímulos adicionais e podem colaborar grandemente para a alfabetização. Assim como as práticas de letramento abrem caminho para mais interações significativas e mais comunicação. Por todos esses aspectos, qualquer sistema de CAA deve prover acesso ao alfabeto e a possibilidades de escrita por meio de recursos de baixa ou alta tecnologia. 


    É possível: Presuma Potencial. 


    Quem sou eu?

    Meu nome é Renata. Sou linguista, atuo em assessoria e consultoria sobre Tecnologia Assistiva com ênfase em Tecnologia Assistiva/Comunicação Aumentativa e Alternativa. Tenho mestrado em Linguística Aplicada e doutorado em Informática na Educação com ênfase em Comunicação Aumentativa e Alternativa. Meu filho mais novo, Vinícius, tem 14 anos e usa CAA.


    Referências:
    Erickson, Karen & Koppenhaver, David. (2019). Comprehensive Literacy for All: Teaching Students with Significant Disabilities to Read and Write. Baltimore: Brookes Publishing.

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  • Leitura Compartilhada

    Leitura Compartilhada

    Leitura Compartilhada

    Fonoaudióloga Alessandra Buosi 

    É muito comum ouvirmos sobre os benefícios da leitura para e com a criança de desenvolvimento neurotípico. O quanto essa prática amplia o vocabulário, traz conhecimento de mundo, aproxima os envolvidos na atividade, enfim… a gente pode considerar a leitura compartilhada uma estratégia de estimulação de linguagem.
    Para os usuários de sistemas de CSA, o uso dessa estratégia deve ser considerada como fundamental para estimular a iniciativa comunicativa, interação com o parceiro de comunicação e com seu recurso, ampliação do vocabulário, habilidade de navegação nos sistemas multiníveis, sintaxe e pragmática.
    Alguns autores propõe técnicas para realizar leitura compartilhada apoiada por símbolos.
    Nesse sentido, a gente pode começar com estratégias simples de marcar no aplicativo do usuário a principal palavra de cada frase, até utilizar o livro como base para iniciar uma conversa sobre um tema específico fazendo um paralelo com as experiências semelhantes vividas pelo usuário.
    Pôde-se navegar pelo sistema como um todo ou construir páginas específicas para leitura ou ainda mais específicas sobre um livro ou outro livro.
    O importante é se preparar para essa atividade. Explorando o livro antes e verificando o vocabulário presente no
    Dispositivo ou prancha do usuário.
    Selecione um livro interessante, motivação é tudo! Faça uma rápida leitura, verifique o vocabulário que você pretende explorar com este livro e divirta-se com a leitura! Com certeza isso vai te tornar um leitor-parceiro de comunicação muito mais eficiente!

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  • Atividades

    Atividades

    Atividades

    Fonoaudióloga Renata Corrêa Pereira

    Eu tenho uma página no Instagram, que é a @autismofono, onde eu disponibilizo de forma gratuita as atividades que eu mesma preparo. Estas atividades tem como objetivo, trabalhar as habilidades de comunicação, linguagem receptiva, linguagem expressiva, e também funções da comunicação. Muitas delas, você encontra também no drive do Comunicatea® Pais.
    E o que estas atividades tem em comum? Em todas elas, eu uso pictogramas. Estes pictogramas são um suporte visual, não apenas para facilitar a compreensão da criança sobre o que é pedido na atividade, mas também, para combinar o pictograma com a compreensão da leitura e da fala.
    Um conselho que eu dou, é que enquanto você usa estas atividades, você também pode fazer uso de pranchas de comunicação com um vocabulário essencial ou pranchas de comunicação temáticas. Desta forma, você vai conseguir modelar o vocabulário essencial que vai ser repetido nas atividades, e também dar a oportunidade para que a criança faça comentários, faça pedidos, faça perguntas e diga o que pensa.
    Esses pictogramas eu pego do Arasaac ou do Boardmaker.
    Então é isso! Espero que vocês tenham gostado!
    Mais uma vez Comunicatea® Pais, muito obrigada pelo convite!

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  • Presumir Potencial

    Presumir Potencial

    Presumir Potencial

    Organizado por Renata Bonotto

    “Presuma potencial” é um dos lemas na área do campo da Tecnologia Assistiva. Como sabemos, a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) é uma das subáreas da Tecnologia Assistiva.

    Presumir potencial quanto à comunicação tem a ver com uma atitude positiva em relação a pessoas com dificuldades para compreender e usar a linguagem. Afinal, temos cada vez mais exemplos de pessoas com necessidades complexas de comunicação que com os subsídios da CAA, conseguem mostrar seu potencial e participar cada vez mais de atividades em casa, na escola e na comunidade! 

    Na prática, presumir potencial afeta a forma como fazemos escolhas sobre a CAA e como criamos oportunidades para acesso às palavras, às funções de comunicação e ao alfabeto.  

    Também envolve a compreensão de que não há pré-requisitos de habilidades ou de idade para iniciar o uso de CAA. 

    Presumir potencial se baseia em dois princípios que se aplicam a toda e qualquer pessoa, independentemente do diagnóstico, deficiência ou nível de desenvolvimento:

    • Todo mundo tem algo a dizer
    • Todos podem aprender

     

    Todo mundo tem algo a dizer

     

    Todas as pessoas, independentemente de sua condição ou aparência, têm uma vida interior única e rica – uma vida cheia de sentimentos, preferências, opiniões, histórias, memórias e sonhos. Mesmo quando uma pessoa não tem os meios para expressar sua vida interior de uma maneira compreensível e convencional, essa vida é real e está presente. Nosso objetivo é levar cada usuário de CAA a expressar sua vida interior de uma maneira que seja acessível para o usuário e compreensível para a pessoa com quem interage. Uma vida interior rica não se reduz a pedidos e expressões sobre necessidades pessoais, pelo contrário, inclui todas as muitas razões pelas quais as pessoas se comunicam umas com as outras.

    Todos podem aprender

     

    Quando uma pessoa não consegue se comunicar usando a fala, não temos como saber com precisão a capacidade de uma pessoa compreender e usar sua língua. Por não saber exatamente quais são as habilidades ou o potencial da pessoa, adotamos a suposição menos perigosa, ou seja, supomos que a pessoa tem o potencial de compreender e aprender a usar a CAA para se comunicar.

    Isso não significa, no entanto, que vamos presumir que a pessoa já está completamente alfabetizada ou que possui todas as habilidades de linguagem receptiva e expressiva adequadas à idade. Significa que não sabemos e não podemos saber o potencial dessa pessoa até oportunizarmos a ela ferramentas acessíveis e o ensino necessário para que faça o uso dessas ferramentas para mediar sua comunicação.

    Todos podem aprender e desenvolver se receberem a orientação e os recursos adequados! Com orientação adequada, prática e o uso de recursos organizados adequados às características do usuário, é possível não apenas aprender, mas também se tornar um comunicador habilidoso.

    O potencial para comunicar está em todas as pessoas.

    Nós precisamos colaborar para que seja alcançado!

    Referências

     

    AssistiveWare. https://www.assistiveware.com/learn-aac/presume-competence

    Jorgensen, Cheryl. (2005). The Least Dangerous Assumption. [A suposição menos perigosa]

    Stout, A. Presuming Competence: what is it and why is it important?  Traduzido por Renata Bonotto.

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  • Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) para crianças com Apraxia

    Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) para crianças com Apraxia

    Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) para crianças com Apraxia

    Por Dyann F. Rupp, MS, CCC-SLP
    Traduzido por Renata Bonotto

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    Este tema tem se tornado cada vez mais frequente à medida que os pais e cuidadores se tornam mais conscientes dos benefícios e resultados positivos da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). Minha opinião sobre este tema é que a CAA é uma indicação apropriada desde o início da intervenção.

    A Associação Americana de Terapia de Fala e Linguagem (ASHA) define a CAA como “um conjunto de procedimentos e processos pelos quais as habilidades de comunicação de um indivíduo (ou seja, habilidades de expressão e compreensão) podem ser maximizadas de modo a alcançar uma comunicação funcional e eficaz. Em outras palavras, a CAA inclui qualquer forma de comunicação diferente da fala que permite ao usuário se comunicar em seu entorno.”

    Light (1988) identificou quatro funções, ou propósitos, principais da comunicação.

     Esses incluem:

    • A expressão de desejos e necessidades;
    • O intercâmbio de informações;
    • Proximidade social, e
    • Etiqueta social.

    Crianças com desenvolvimento típico usam a fala para navegar nessas áreas. Quando a fala não é suficiente para atingir os objetivos comunicativos da criança, é necessário que a criança encontre uma forma de preencher essas lacunas. Em termos de expressar desejos e necessidades, a CAA é uma boa ponte entre a necessidade de comunicar uma mensagem e, de fato, compartilhar o sentido que deseja expressar a outra pessoa. As crianças podem usar gestos naturais, língua de sinais, um livro de comunicação, um símbolo (imagem, fotografia, desenho, etc.) e/ou um dispositivo com vocalizador para compartilhar suas intenções. A troca de informações torna-se essencial em um ambiente escolar. O professor requer que a criança interaja em sala de aula fazendo/respondendo perguntas, participando de grupos de aprendizagem colaborativa e usando uma linguagem cada vez mais complexa. Essa troca de informações mostra ao professor que a criança atingiu os níveis de conhecimento esperados nas várias fases de desenvolvimento. Por exemplo, uma criança que não consegue dizer a letra s terá dificuldades em indicar que aprendeu o conceito de plurais. Essa mesma criança seria facilmente capaz de demonstrar o uso de plurais usando CAA. 

    À medida que as crianças amadurecem, as necessidades de se comunicar se multiplicam com as oportunidades. Os ambientes sociais tornam-se mais diversos e cheios de parceiros de comunicação. Tornar as interações de comunicação funcionais e eficazes assume maior importância devido ao acréscimo dessas influências sociais. 

    É provável que as famílias encontrem fonoaudiólogos que optem por se concentrar na fala em detrimento da comunicação geral. O foco na fala não está errado por si só. Todos nós queremos que nossos filhos usem a fala natural. No entanto, todos na equipe da criança (incluindo pais e colegas) precisam dar um passo atrás e realmente olhar para a capacidade da criança de se comunicar funcionalmente em seus vários ambientes. Concentre-se naquilo que a criança consegue comunicar. Pense o seguinte: se o progresso da terapia é lento, quanto tempo você está disposto a esperar até que a criança se comunique? Passar o tempo do jardim de infância inteiramente sem falar? O primeiro ano? Há uma diferença real entre inteligibilidade (quão compreensível uma criança consegue ser usando só a fala) e compreensibilidade (que leva em conta a fala junto com o contexto). Algumas estratégias de CAA contextualizam a interação e isso pode ser suficiente para apoiar a comunicação da criança. Essas estratégias podem incluir a complementação com o alfabeto (primeira letra), indicando o tópico que está sendo discutido, indicando uma mudança no tópico, etc. Uma avaliação para determinar as necessidades de uma criança em particular é inestimável para determinar os melhores apoios de CAA.

    Ao discutir a CAA, uma das primeiras preocupações expressas pelos pais e cuidadores é que o uso da CAA pode impedir a criança de falar ou atrasar ainda mais o desenvolvimento da fala natural. Em resposta, refiro-me ao excelente artigo Cumley (2001) incluído no site da Apraxia -KIDSSM. Sua pesquisa demonstrou que a CAA não impede uma criança de usar a fala para se comunicar, se e quando for eficaz para ela. Além disso, à medida que a fala vai se tornando cada vez mais o principal modo de comunicação (com o desenvolvimento da fala natural funcional), as ferramentas e estratégias de CAA serão gradualmente substituídas por outras estratégias comunicativas da criança. Na verdade, a criança deixará o uso da CAA por conta própria, quando a fala se tornar mais eficaz e eficiente.

    Se você decidiu explorar a CAA como um meio de ajudar seu filho a se comunicar hoje, este é um processo especializado com muitas etapas. Procure um fonoaudiólogo com experiência/ conhecimento em CAA. No sistema escolar, esses especialistas são frequentemente encontrados em uma equipe de Tecnologia Assistiva. O atual fonoaudiólogo de seu filho deve ajudá-lo neste processo. Se você preferir obter acessar este na comunidade, é importante entrar em contato com as clínicas para garantir que (1) o fonoaudiólogo tenha experiência em CAA, e (2) durante uma avaliação, seu filho tenha a oportunidade de interagir com diversos tipos de dispositivos de diferentes fabricantes. Isso garantirá que o dispositivo que melhor atenda às necessidades dele seja selecionado.

    Temos a expectativa de que as crianças com apraxia usem a fala natural como o principal meio de comunicação algum dia. Nesse ínterim, faz sentido usar a CAA como um meio de comunicação (ou de suplementação da comunicação) para ajudar no desenvolvimento da linguagem e reduzir a frustração de seu filho. O uso de CAA não altera a necessidade de tratamento intensivo e frequente da fala. Ele apenas fornece um meio de preencher a lacuna entre interações comunicativas eficazes e ineficazes. Embora nunca percamos de vista nosso objetivo final com a fala natural, também precisamos pensar sobre uma comunicação adequada e funcional hoje.

    Recursos

     

    American Speech-Language-Hearing Association. “Augmentative and Alternative Communication: Knowledge and Skills for Service Delivery.” ASHA Supplement 22 (2002): 97-106.

    Beukelman, David R., & Pat Mirenda, eds. Augmentative and Alternative Communication: Management of Severe Communication Disorders in Children and Adults. Baltimore, Maryland: Paul H. Brookes Publishing Co., 1998.

    Caruso, Anthony A. and Edythe A. Strand, eds. Clinical Management of Motor Speech Disorders in Children. New York: Thieme Medical Publishers, Inc., 1999.

    Cumley, Gary D. Children With Apraxia and the Use of Augmentative and Alternative Communication. Apraxia-KIDS. 2001 https://www.apraxia-kids.org/slps/cumley.html.

    Dowden, P. “Augmentative and Alternative Communication Decision Making for Children with Severely Unintelligible Speech.” Augmentative and Alternative Communication 13 (1997): 48-58.

    Light, J. “Interaction Involving Individuals Using Augmentative and Alternative Communication Systems: State of the Art and Future Directions.” Augmentative and Alternative Communication 4 (1988): 6-82.

    Sobre a autora do texto:

    Dyann F. Rupp, M.S., CCC-SLP é fonoaudióloga no RiteCare Clinic of the Scottish Rite Masons em Lincoln, Nebrasca. Tem mestrado pela Universidade de Nebrasca – Lincoln and trabalha como fonoaudióloga e especialista em Tecnologia Assistiva nos contextos da clínica e da escola. E-mail: drupp2@unl.edu.

    © Apraxia-KIDS℠ – A program of The Childhood Apraxia of Speech Association (Apraxia Kids)
    www.apraxia-kids.org

    Fonte:

    https://www.apraxia-kids.org/apraxia_kids_library/what-about-sign-language-speech-tablets-and-other-communication-forms/  Acesso em 04/05/2021

    Traduzido por Renata Bonotto, Linguista e Doutora em Informática na Educação com pesquisa e atuação na área de Comunicação Aumentativa e Alternativa.

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