Este tema tem se tornado cada vez mais frequente à medida que os pais e cuidadores se tornam mais conscientes dos benefícios e resultados positivos da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). Minha opinião sobre este tema é que a CAA é uma indicação apropriada desde o início da intervenção.
A Associação Americana de Terapia de Fala e Linguagem (ASHA) define a CAA como “um conjunto de procedimentos e processos pelos quais as habilidades de comunicação de um indivíduo (ou seja, habilidades de expressão e compreensão) podem ser maximizadas de modo a alcançar uma comunicação funcional e eficaz. Em outras palavras, a CAA inclui qualquer forma de comunicação diferente da fala que permite ao usuário se comunicar em seu entorno.”
Light (1988) identificou quatro funções, ou propósitos, principais da comunicação.
Esses incluem:
- A expressão de desejos e necessidades;
- O intercâmbio de informações;
- Proximidade social, e
- Etiqueta social.
Crianças com desenvolvimento típico usam a fala para navegar nessas áreas. Quando a fala não é suficiente para atingir os objetivos comunicativos da criança, é necessário que a criança encontre uma forma de preencher essas lacunas. Em termos de expressar desejos e necessidades, a CAA é uma boa ponte entre a necessidade de comunicar uma mensagem e, de fato, compartilhar o sentido que deseja expressar a outra pessoa. As crianças podem usar gestos naturais, língua de sinais, um livro de comunicação, um símbolo (imagem, fotografia, desenho, etc.) e/ou um dispositivo com vocalizador para compartilhar suas intenções. A troca de informações torna-se essencial em um ambiente escolar. O professor requer que a criança interaja em sala de aula fazendo/respondendo perguntas, participando de grupos de aprendizagem colaborativa e usando uma linguagem cada vez mais complexa. Essa troca de informações mostra ao professor que a criança atingiu os níveis de conhecimento esperados nas várias fases de desenvolvimento. Por exemplo, uma criança que não consegue dizer a letra s terá dificuldades em indicar que aprendeu o conceito de plurais. Essa mesma criança seria facilmente capaz de demonstrar o uso de plurais usando CAA.

À medida que as crianças amadurecem, as necessidades de se comunicar se multiplicam com as oportunidades. Os ambientes sociais tornam-se mais diversos e cheios de parceiros de comunicação. Tornar as interações de comunicação funcionais e eficazes assume maior importância devido ao acréscimo dessas influências sociais.
É provável que as famílias encontrem fonoaudiólogos que optem por se concentrar na fala em detrimento da comunicação geral. O foco na fala não está errado por si só. Todos nós queremos que nossos filhos usem a fala natural. No entanto, todos na equipe da criança (incluindo pais e colegas) precisam dar um passo atrás e realmente olhar para a capacidade da criança de se comunicar funcionalmente em seus vários ambientes. Concentre-se naquilo que a criança já consegue comunicar. Pense o seguinte: se o progresso da terapia é lento, quanto tempo você está disposto a esperar até que a criança se comunique? Passar o tempo do jardim de infância inteiramente sem falar? O primeiro ano? Há uma diferença real entre inteligibilidade (quão compreensível uma criança consegue ser usando só a fala) e compreensibilidade (que leva em conta a fala junto com o contexto). Algumas estratégias de CAA contextualizam a interação e isso pode ser suficiente para apoiar a comunicação da criança. Essas estratégias podem incluir a complementação com o alfabeto (primeira letra), indicando o tópico que está sendo discutido, indicando uma mudança no tópico, etc. Uma avaliação para determinar as necessidades de uma criança em particular é inestimável para determinar os melhores apoios de CAA.
Ao discutir a CAA, uma das primeiras preocupações expressas pelos pais e cuidadores é que o uso da CAA pode impedir a criança de falar ou atrasar ainda mais o desenvolvimento da fala natural. Em resposta, refiro-me ao excelente artigo Cumley (2001) incluído no site da Apraxia -KIDSSM. Sua pesquisa demonstrou que a CAA não impede uma criança de usar a fala para se comunicar, se e quando for eficaz para ela. Além disso, à medida que a fala vai se tornando cada vez mais o principal modo de comunicação (com o desenvolvimento da fala natural funcional), as ferramentas e estratégias de CAA serão gradualmente substituídas por outras estratégias comunicativas da criança. Na verdade, a criança deixará o uso da CAA por conta própria, quando a fala se tornar mais eficaz e eficiente.
Se você decidiu explorar a CAA como um meio de ajudar seu filho a se comunicar hoje, este é um processo especializado com muitas etapas. Procure um fonoaudiólogo com experiência/ conhecimento em CAA. No sistema escolar, esses especialistas são frequentemente encontrados em uma equipe de Tecnologia Assistiva. O atual fonoaudiólogo de seu filho deve ajudá-lo neste processo. Se você preferir obter acessar este na comunidade, é importante entrar em contato com as clínicas para garantir que (1) o fonoaudiólogo tenha experiência em CAA, e (2) durante uma avaliação, seu filho tenha a oportunidade de interagir com diversos tipos de dispositivos de diferentes fabricantes. Isso garantirá que o dispositivo que melhor atenda às necessidades dele seja selecionado.
Temos a expectativa de que as crianças com apraxia usem a fala natural como o principal meio de comunicação algum dia. Nesse ínterim, faz sentido usar a CAA como um meio de comunicação (ou de suplementação da comunicação) para ajudar no desenvolvimento da linguagem e reduzir a frustração de seu filho. O uso de CAA não altera a necessidade de tratamento intensivo e frequente da fala. Ele apenas fornece um meio de preencher a lacuna entre interações comunicativas eficazes e ineficazes. Embora nunca percamos de vista nosso objetivo final com a fala natural, também precisamos pensar sobre uma comunicação adequada e funcional hoje.
Recursos
American Speech-Language-Hearing Association. “Augmentative and Alternative Communication: Knowledge and Skills for Service Delivery.” ASHA Supplement 22 (2002): 97-106.
Beukelman, David R., & Pat Mirenda, eds. Augmentative and Alternative Communication: Management of Severe Communication Disorders in Children and Adults. Baltimore, Maryland: Paul H. Brookes Publishing Co., 1998.
Caruso, Anthony A. and Edythe A. Strand, eds. Clinical Management of Motor Speech Disorders in Children. New York: Thieme Medical Publishers, Inc., 1999.
Cumley, Gary D. Children With Apraxia and the Use of Augmentative and Alternative Communication. Apraxia-KIDS. 2001 https://www.apraxia-kids.org/slps/cumley.html.
Dowden, P. “Augmentative and Alternative Communication Decision Making for Children with Severely Unintelligible Speech.” Augmentative and Alternative Communication 13 (1997): 48-58.
Light, J. “Interaction Involving Individuals Using Augmentative and Alternative Communication Systems: State of the Art and Future Directions.” Augmentative and Alternative Communication 4 (1988): 6-82.
Sobre a autora do texto:
Dyann F. Rupp, M.S., CCC-SLP é fonoaudióloga no RiteCare Clinic of the Scottish Rite Masons em Lincoln, Nebrasca. Tem mestrado pela Universidade de Nebrasca – Lincoln and trabalha como fonoaudióloga e especialista em Tecnologia Assistiva nos contextos da clínica e da escola. E-mail: drupp2@unl.edu.
© Apraxia-KIDS℠ – A program of The Childhood Apraxia of Speech Association (Apraxia Kids)
www.apraxia-kids.org
Fonte:
https://www.apraxia-kids.org/apraxia_kids_library/what-about-sign-language-speech-tablets-and-other-communication-forms/ Acesso em 04/05/2021
Traduzido por Renata Bonotto, Linguista e Doutora em Informática na Educação com pesquisa e atuação na área de Comunicação Aumentativa e Alternativa.