Autoras: Vitória de Moraes Goes e Camila Acosta Gonçalves
Você se recorda de alguma música de quando era criança? E uma música de amor?
A música nos impacta, faz com que nos recordemos de momentos importantes de nossas vidas e de uma forma espontânea, evoca os sentimentos. Esta reflexão permite com que embarquemos na Musicoterapia, a ciência que estuda o som (música e ruídos) como meio terapêutico.
A associação da Musicoterapia com a Comunicação Suplementar Aumentativa se inicia no exato momento em que compreendemos que comunicação e música são elementos inerentes um ao outro (BRANDALISE, 1998). Quando observado por um aspecto neurológico, o processamento cerebral da música ocorre de forma multissensorial, ou seja, várias áreas cerebrais são ativadas de forma simultânea. Ao cantarmos ou tocarmos um instrumento, ou mesmo quando ouvimos música, o cérebro humano se ativa de uma forma diferente das outras atividades, proporcionando potentes experiências relacionadas à aprendizagem social. Por exemplo, ao manusear um instrumento musical, é necessária a execução de movimentos das mais diversas ordens, o que estimula a sincronização rítmica e noção temporal/espacial; o planejamento, a compreensão compartilhada; o contato visual; a expressividade; a interação social e a flexibilidade, exercendo influência na neuroplasticidade cerebral (OVERY & MOLNAR-SZAKACS, 2009).
Estas funções são habilidades primárias, ou seja, a base para que o processo de comunicar seja melhor sucedido. Porém, o processamento musical vai além destes aspectos, pois os elementos musicais têm sua própria estrutura e sintaxe e estão também presentes na fala, nos sinais da linguagem de sinais, nas interjeições, na expressão corporal, incrementando o processo de comunicação. Durante uma sessão de musicoterapia com foco na comunicação receptiva e compreensiva, a canção pode ser utilizada como meio para interpretação de letras, orientação temporal e ordem cronológica, por exemplo.
A obra publicada por Levitin (2009), retrata as áreas cerebrais que são ativadas quando escutamos música. Na imagem a seguir, podemos ver que a música pode ser processada desde áreas do desenvolvimento motor e sensorial até locais responsáveis exclusivamente pela cognição.

Cantar, dançar, tocar, expressar-se, compreender, interagir, raciocinar e brincar: Isso é Música!
Como musicoterapeutas, quando iniciamos um processo de implementação da Comunicação Suplementar Alternativa, utilizamos a modelagem. E a modelagem também tende a favorecer o ambiente musical. Durante uma sessão de Musicoterapia com CSA, o usuário do sistema de comunicação pode realizar escolhas, comentar, fazer pedidos e descrever conceitos musicais de forma muito mais assertiva, tanto em atendimentos convencionais quanto por telessaúde (GONÇALVES, COSTA & GÓES, 2021). Isto permite com que o usuário navegue pelo universo singular musical, ou seja, aquele aspecto relacionado à expressividade e à criação, como cantar, dançar, ouvir, tocar, gritar, sussurrar, sorrir, sentir e, simultaneamente, fazer o paralelo com o universo pragmático musical: a descrição de conceitos e exteriorização de pensamentos e emoções despertados pela experiência.
Costumamos dizer que o trabalho do Musicoterapeuta nunca mais será o mesmo após ter contato com a CSA. A CSA, assim como a música, traz a sensibilidade e a importância do comunicar. Comunicar e musicar é muito mais que realizar simples pedidos: é descobrir-se ser você mesmo, é poder mostrar o seu melhor. Desta forma, com essa parceria, oferecemos oportunidades para o indivíduo se comunicar de forma multimodal. E através da conexão, que é uma característica inerente à Arte, conseguimos aproveitar o máximo potencial de desempenho da pessoa atendida. Isto vai mais além do que as palavras podem expressar.
Para finalizar, separamos algumas dicas e possibilidades de associação da Música com a CSA, com pranchas musicais. Esperamos que elas possam ser úteis para famílias, amigos e outros parceiros de comunicação musicarem juntos!

Prancha de comunicação com o objetivo de trabalhar consciência fonológica
Música: “Caranguejo Peixe É”
Aplicativo: Editor de prancha Amplisoft

Prancha de Comunicação Musical com foco em nomeação e quantidade
Música: “Caranguejo Peixe É”
Aplicativo: Editor de prancha Amplisoft

Prancha de comunicação inspirada na canção “Cara de quê?”, com objetivo de trabalhar sensações e emoções.
Aplicativo: Editor de prancha Amplisoft
Link Youtube- https://www.youtube.com/watch?v=ZwzD5nBLn7w&t=43s

Prancha de comunicação contendo ritmos musicais para trabalhar escolhas e percepção auditiva
Aplicativo: TD Snap

Prancha de comunicação conceitos básicos musical
Aplicativo: TD Snap

Prancha de comunicação vocabulário essencial e vocabulário específico musical
Aplicativo: TD Snap
Referências:
Brandalise, A. . (1998). Aproach “Brandalise” de Musicoterapia. Brazilian Journal of Music Therapy, (4). Recuperado de https://musicoterapia.revistademusicoterapia.mus.br/index.php/rbmt/article/view/152
Gonçalves, C; Costa, P. T. S.; Góes, V. M.; Musicoterapia com crianças durante a pandemia do Covid-19: Interações musicais com Comunicação Alternativa Ampliada, Em, P. 87 (2021). ANAIS DO XVII DE MUSICOTERAPIA E.
Levitin, D. J., & Tirovolas, A. K. (2009). Current advances in the cognitive neuroscience of music. Annals of the New York Academy of Scienc
1156, 211–231. https://doi.org/10.1111/j.1749-6632.2009.04417.x
Overy, K., & Molnar-Szakacs, I. (2009). Being together in time: Musical experience and the mirror neuron system. Music Perception, 26(5), 489–504. https://doi.org/10.1525/mp.2009.26.5.489
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